quarta-feira, 14 de abril de 2010

Verdade

" - O que te leva a pensar que nunca te quis?
(...)
- A Maria tinha o teu sorriso, mas não os teus olhos. A Angeli tinha os teus olhos, mas não o teu nariz. A Julie tinha a tua maneira de falar, mas não a tua inteligência. A Claire tinha a tua ambição, mas não o teu encanto. A Alice tinha, de certa forma, o teu cheiro, mas não o teu riso. A Jane tinha as tuas mãos, mas não os teus braços. Queres que continue? É que posso enumerar todas as mulheres com quem saí pelas suas semelhanças e diferenças em relação a ti. E, sim, casei com Steph porque não é nada parecida contigo. Foi o fim da minha tortura. Finalmente. Finalmente, tinha alguém que não me fazia lembrar de ti por todas as diferenças que tinha em relação a ti. Podia começar do zero com ela. Podia aprender o que era o amor sem que tudo remetesse para ti.
(...)
- Voltei mais cedo da minha viagem porque tinha recomeçado. A obsessão que tinha por ti; conhecia mulheres e perguntava-me se, contigo, seria melhor. E tinha saudades tuas. Punha-me maluco, mas eu sabia que era por já estar preparado. Então, voltei, preparado para assentar. Para casar, ter filhos contigo. Eu... Eu não acredito que vou contar-te isto ao fim de tanto tempo. Mandei fazer um anel, em platina, com diamantes e quartzo rosa incrustados. Alguém me disse que o quartzo rosa era a pedra do amor e do romance e eu sabia que gostavas dessas coisas, e mandei fazer um anel com isso. Foi por isso que te pedi para ires ter comigo ao aeroporto. Ia ajoelhar-me ali mesmo, na zona das Chegadas, para te pedir em casamento. Quando te vi, tive a certeza de que era isso que queria. Tinha o anel na mão e o coração na garganta, mas estava preparado. Ia fazê-lo. Depois, lá estava ele, o teu namorado.
(...)
- Lembras-te do que te perguntei? - repetiu Mal.
Acenei com a cabeça. Lembrava-me. Claro que me lembrava.
Mal aproximou-se, segurou-me o rosto com a mão e levantou-me a cabeça para o olhar nos olhos.
- Lembras-te o que te perguntei? - interrogou pela terceira vez.
- «É mesmo ele que tu queres?» - respondi.
- E lembras-te do que me disseste?
Acenei com a cabeça.
- O que disseste? - insistiu.
Respirei fundo.
- «Casaria com ele amanhã, se me pedisse» - sussurrei.
(...)
- Fui estúpido em pensar que ficarias à espera que eu caísse em mim. Mas, quando disseste isso, soube que tinha acabado. Já não me querias.
- Não estava a falar a sério. Pensei que não gostavas do Keith. Pensei que, se achasses que a nossa relação era séria, ficarias feliz por mim. Pens... - Fizemos asneira. Fizemos asneira da grossa. - Ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh - suspirei.
A pressão da sua mão no meu rosto aumento e eu levei as mãos ao seu quando ele baixou a cabeça, até ficarmos bem próximos um do outro. Se algum de nós se mexesse, nem que fosse um bocadinho, os nossos lábios unir-se-iam. Beijar-nos-íamos. Não seria um rápido cumprimento ou despedida, nem uma brincadeira sua em frente à nossa família, mas sim um beijo a sério, repleto de amor. Eu nunca tinha querido tanto que alguém cobrisse os meus lábios com os seus como queria que ele o fizesse naquele momento.
Os meus olhos fecharam-se ao pousar a testa na minha.
Não podia acontecer nada. Nunca poderia acontecer nada. Tínhamos feito as nossas escolhas e não podia acontecer nada.
- Céus, Nova, céus - sussurrou quando fechei os olhos.
Ficámos parados, incapazes de nos largarmos, incapazes de nos unirmos, reféns da nossa própria desonestidade. "

Bons sonhos meu amor, Dorothy Koomson

Nunca te poderei amar, não assim, seria o meu fim .. E isto é apenas um excerto de um romance, apenas ..

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