quarta-feira, 7 de abril de 2010

Bons sonhos meu amor

"Depois beijou-me na boca. Pela primeira vez. Beijou-me na boca. Os seus lábios suaves e sensuais cobriram os meus movendo-se sobre eles, introduzindo lentamente a lingua na minha boca. Pareceu durar uma eternidade. A sensação de estar a voar, a sensação de estar a flutuar noutro plano com a pessoa que amava acima de tudo. Éramos amigos, grandes amigos, e estavam sempre a perguntar-nos se existia algo mais entre nós, mas não existia. Depois do sucedido há quatro anos, eu tinha praticamente passado a considerar os meus sentimentos um mero disparate, uma tolice da minha parte. Mesmo assim, ele beijou-me na boca no meio de um aeroporto de Londres apinhado de gente, à frente da minha família. Afastou-se. Depressa demais, pensei. Há quantos anos queria eu que aquilo acontecesse, sabendo sempre, desde o fim-de-semana em que ele me disse que nunca me amaria, que jamais aconteceria?
- Agora, tenta explicar-lhes a todos - tinha feito sinal na direcção da nossa família - que somos apenas amigos e que não estavamos a chorar desalmadamente por estares a ver partir o amor da tua vida."

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